Thamilly Rozendo

Não é o amor que sustenta o relacionamento, é o modo de se relacionar que sustenta o amor.

Imagem:  Pressmaster/shutterstock

Amar é tão simples. As pessoas é que complicam, as pessoas é que idealizam demais e se esquecem de viver a realidade que, por mais complicada que possa parecer, continua linda de viver.

As pessoas se esquecem de que o amor precisa ser alimentado, não com presentes e jantares caros. Não, o amor não precisa ser financiado para se manter.

O problema é que as pessoas se esquecem do chocolate favorito quando vão ao mercado, esquecem-se de que aquela camiseta do Star Wars vai fazer o coração do outro bater mais forte e de que o sorriso vai ser desenhado aos poucos em seu rosto, como quem diz obrigada.

As pessoas se esquecem da cor favorita, da sobremesa preferida, esquecem-se de que um filme de comédia romântica, em um final de tarde no domingo, faz bem. As pessoas se esquecem de elogiar aquele vestido novo, de dizer o quanto o outro está lindo naquele pijama velho que o deixa ainda mais bonito.

As pessoas se esquecem da importância de assistir a um jogo de futebol com o parceiro, de gritar com ele, quando o seu time faz um gol, e de vibrar com os “quase” gols. As pessoas se esquecem de tirar um tempo de qualidade para escutar o outro. As pessoas se esquecem de dar uma flor, dessas que a gente rouba do quintal dos outros (risos). De elogiar o perfume novo e de dizer, aos pés do ouvido, o quanto ama esse alguém.

Não precisa de buquê no trabalho, não precisa levar para jantar em restaurante caro, não precisa encher de jóias, comprar presentes caros. Não precisa disso para manter a chama do amor acesa. Não é isso que faz pegar fogo.

Um beijo na testa faz o coração de qualquer mulher se acalmar; um abraço, quando as coisas não estão bem, faz com que a gente se sinta protegido, e assistir àquele filme que o outro tanto quer, também significa agradar.

Beijos ao pé da orelha causam arrepios e o toque sincero faz o corpo balançar. O problema é que as pessoas são intensas demais no começo de um relacionamento e fazem de tudo para conquistar o outro, mas não sabem como lidar com todo o sentimento que, às vezes – na maioria das vezes –, parece não caber dentro da gente.

E, então, vêm os inúmeros presentes, os inúmeros agrados, os inúmeros elogios e, depois de um tempo, a insegurança vai embora e a gente se esquece de que é preciso conquistar todos os dias. Mas isso, ao contrário do que muita gente pensa, não é um fardo, obrigação, e está longe de ser um sacrifício.

É a simplicidade que emociona, é o beijo de bom dia, é o “sonhei com você”, é o elogio sincero e inesperado, é o cuidado, é fazer aquele mousse de maracujá, preparar uma janta em casa mesmo e dizer: “Só tinha ovos, fiz um omelete delicioso pra nós dois. Espero que goste”. Um recado deixado no meio dos livros é o suficiente para fazer o nosso coração sorrir.

Vai, manda um SMS no meio da tarde, dizendo que não consegue parar de pensar nele, compra o seu chocolate favorito e aparece de surpresa. Vai, compra uma rosa – não um buquê – e deixa um bilhete dizendo o quanto você a ama.

Não deixe cair na mesmice, continue fazendo aquele belo sorriso brotar, aqueles lindos olhos brilharem. Vai, continua fazendo aquele corpo balançar com o seu toque. Vai, mantém essa chama acesa e deixe incendiar.

O amor se alegra com a simplicidade e são as pequenas coisas que fazem o nosso coração sorrir sem medo, como quem tem alguém ao seu lado querendo fazer morada.

Thamilly Rozendo

Estudante de psicologia, apaixonada por artes, música e poesia. Não dispensa um sorvete e adora um pastel de feira com muito requeijão, mesmo sendo intolerante a lactose. Tem pavor de borboletas, principalmente as no estômago.

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